No último sábado (14), o Brasil perdeu uma de suas maiores referências culturais: Bira Presidente, fundador do Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal, faleceu aos 88 anos
No mundo do samba, poucos nomes são tão respeitados quanto o de Bira Presidente. Carismático, pioneiro e profundamente enraizado na cultura popular, Bira foi mais que um músico: foi símbolo de resistência, amor à arte e dedicação à comunidade. Ele faleceu no dia 14 de junho, após enfrentar um câncer de próstata e complicações do Alzheimer.
A despedida aconteceu no dia 16, em um velório marcado por emoção e reverência, com a presença de grandes nomes do samba como Jorge Aragão, Dudu Nobre, Neguinho da Beija-Flor, Teresa Cristina, entre outros.
Mas muito além da dor da partida, Bira deixou um legado eterno. E uma das últimas grandes homenagens em vida foi registrada pelo programa Superação, apresentado por Patrícia Marcial.
✨ Uma história de luta, música e fé no Superação
Durante sua participação no programa, Bira compartilhou detalhes íntimos de sua infância em Ramos, as primeiras batidas no pandeiro e os desafios de transformar o samba suburbano num movimento de projeção nacional.
Na conversa com Patrícia Marcial, Bira emocionou ao lembrar que o samba sempre foi sua missão de vida:
“Não foi fácil. A gente enfrentou preconceito, falta de oportunidade, mas nunca deixamos o tamborim parar. O samba é a nossa voz. E a nossa voz tem que continuar.”
Patrícia Marcial relembrou a gravação com carinho:
“Bira entrou no estúdio com o mesmo brilho nos olhos de um jovem começando a carreira. Ele foi generoso, ensinou, sorriu, cantou… e emocionou a todos nós. O programa Superação se orgulha de ter eternizado um dos últimos registros dessa lenda.”
🎶 Cacique de Ramos e Fundo de Quintal: onde tudo começou
Em 1961, Bira fundou, com amigos e familiares, o Cacique de Ramos, que se tornaria não só um dos blocos de carnaval mais tradicionais do Rio, mas também um verdadeiro berço cultural.
Dali surgiria o revolucionário grupo Fundo de Quintal, que Bira ajudou a fundar no fim dos anos 1970, ao lado de nomes como Ubirany, Sereno e Neoci. O grupo foi responsável por transformar a sonoridade do samba, incorporando instrumentos como tantã, repique de mão e banjo.
Com o Fundo de Quintal, Bira brilhou em sucessos como:
“A Amizade”
“Nosso Grito”
“Lucidez”
“Do Fundo do Nosso Quintal”
“O Show Tem Que Continuar”
Sua marca registrada era o pandeiro, tocado com uma técnica refinada, acompanhada de um sorriso sempre presente no rosto.
Um homem à frente do tempo
Ubirajara Félix do Nascimento, o Bira Presidente, também era um líder comunitário, servidor público e apaixonado pela cultura afro-brasileira. Foi batizado no samba aos sete anos na Estação Primeira de Mangueira e manteve-se ativo nas rodas até os últimos anos de vida.
Torcedor do Flamengo, dançarino de salão e pai dedicado, Bira era também avô e bisavô. Sua espiritualidade, vinda das raízes da Umbanda, se misturava com a cadência do samba e com a fé inabalável no poder da arte como instrumento de transformação social.
Bira deixou o palco da vida, mas sua história continua sendo contada por quem o conheceu, o ouviu, o admirou. O programa Superação, com Patrícia Marcial, teve o privilégio de registrar esse legado em uma de suas entrevistas mais significativas.
Hoje, mais do que nunca, ecoa a frase que ele ajudou a imortalizar:
“O show tem que continuar.”

