O termo adultização apareceu com força nas redes sociais e nos noticiários, após uma denúncia feita pelo influenciador digital Felca.

O caso gerou grande debate sobre os limites da exposição de crianças e adolescentes, principalmente na internet, e trouxe à tona questões importantes sobre direitos, proteção e a responsabilidade de adultos no cuidado com os mais jovens.Mas, afinal, o que significa adultização? Qual foi a denúncia feita? E o que diz a legislação brasileira sobre isso? Vamos entender.

O que significa o termo “adultização”?

De forma simples, adultização é quando uma criança ou adolescente é exposto(a) a comportamentos, conteúdos ou responsabilidades típicos de adultos, antes do momento adequado para sua idade.

Isso pode acontecer de várias formas:

  • Por meio de roupas e maquiagem que sexualizam a aparência;
  • Ao ser incentivada a falar ou agir como um adulto;
  • Participando de conversas ou atividades com teor sexual;
  • Sendo colocada em situações de trabalho ou exposição pública para as quais não tem maturidade emocional ou cognitiva.

Especialistas como o Instituto Alana explicam que a adultização precoce pode trazer consequências emocionais e psicológicas graves, já que antecipa experiências e pressões que a criança ainda não está preparada para enfrentar. Isso pode afetar a autoestima, a percepção de si mesma e o desenvolvimento saudável.

Qual foi a denúncia feita por Felca?

Em agosto de 2025, o influenciador Felca publicou um vídeo denunciando casos de crianças expostas de forma inadequada em redes sociais. Ele mencionou perfis de mães e responsáveis que postavam imagens e vídeos de meninas vestidas e maquiadas de forma sexualizada, com conteúdo que poderia ser interpretado como sugestivo.

A denúncia também citou a atuação de influenciadores e produtores de conteúdo suspeitos de explorar menores de idade, inclusive com suposta conivência de adultos. As imagens mostradas no vídeo levantaram alerta para possíveis violações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e de leis que combatem a exploração sexual infantil.

O caso ganhou tanta repercussão que resultou na derrubada de contas no Instagram, pronunciamentos de políticos como o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o anúncio de que a Câmara dos Deputados pautaria projetos para regulamentar a exposição de crianças em redes sociais.

print de vídeo do influenciador Felca sobre adultização. Imagem do celular pixelada por conter conteúdo sensível.

O que diz a legislação brasileira?

No Brasil, a Constituição Federal e o ECA estabelecem que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e devem ser protegidos contra qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

adultização, quando envolve sexualização precoce ou exposição inadequada, pode configurar crimes como:

  • Exploração sexual de criança ou adolescente (art. 240 e 241 do ECA);
  • Produção e divulgação de material com cena sexual envolvendo menores;
  • Aliciamento ou indução à prática de atos sexuais.

Além disso, a Lei 14.811/2024, que atualizou o Código Penal, tornou mais rígidas as punições para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, incluindo crimes cometidos em ambiente virtual.

Ainda, outras legislações abordam os direitos digitais de crianças e adolescentes, como: 

  • Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)estabelece regras para o tratamento de dados pessoais, com atenção especial às crianças e adolescentes. O artigo 14, por exemplo, determina que o processamento dessas informações deve ter como base o princípio do melhor interesse da criança, de modo que os responsáveis e os próprios menores compreendam;
  • Marco Civil da Internet: a “Constituição da Internet” no Brasil, assegura direitos como a inviolabilidade da intimidade e da vida privada, prevendo indenização em casos de violação, e obriga a oferta de informações transparentes sobre a coleta, o uso e o armazenamento de dados, que só podem ser utilizados para finalidades específicas;
  • Resolução nº 245/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA): reforça a proteção no ambiente digital ao definir que o poder público e as empresas tenham a obrigação de colaborar ativamente na divulgação de informações corretas sobre direitos, riscos e oportunidades que envolvam crianças e adolescentes, especialmente no que diz respeito a produtos e serviços digitais;
  • Lei nº 14.811/2024: amplia o combate às diferentes formas de violência contra crianças e adolescentes, incluindo o cyberbullying, o abuso e a exploração sexual, estabelecendo medidas de prevenção e proteção que abrangem o contexto online e o presencial.

Novos projetos de lei contra ‘adultização’?

Após as denúncias, a discussão sobre a adultização infantil ganhou força no Congresso Nacional. Diante disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), anunciou que iria pautar, na mesma semana, projetos de lei que visam restringir o alcance de perfis e conteúdos nas redes sociais que promovam a adultização de crianças e adolescentes.

A proposta é enfrentar a questão do ponto de vista legislativo, criando regras claras para coibir a prática, quanto no diálogo com as plataformas digitais, que, segundo o governo, devem ser responsabilizadas por permitir a circulação e a monetização de conteúdos prejudiciais ao desenvolvimento infantil. 

A ministra Gleisi Hoffmann e o advogado-geral da União, Jorge Messias, reforçaram que a internet não pode ser uma “terra sem lei” e que os algoritmos não podem continuar promovendo materiais de caráter criminoso envolvendo crianças.

By Patricia Marcial

Patricia Marcial é uma renomada apresentadora de TV, jornalista e uma figura influente na indústria da moda. Com vasta experiência em sua carreira, Patricia não apenas entretém o público, mas também informa e inspira milhares de telespectadores. Além de seu trabalho na televisão, como apresentadora do Programa Superação na Band TV Rio, ela é CEO da "Revista Superação News", onde compartilha informações valiosas para os leitores. Além disso, também é Empreendedora juntamente com seu esposo onde atuam no ramo da Beleza e Cosméticos. Patricia Marcial é um exemplo de dedicação e paixão em sua profissão, inspirando aqueles ao seu redor com sua determinação e talento

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