Excesso de álcool, energéticos, desidratação e o hábito de “segurar o xixi” podem provocar infecções, arritmias e até sobrecarga renal

Por Redação | Revista Superação News – Bem-Estar & Saúde

O Carnaval é sinônimo de festa, calor, multidões e longas horas em pé. Mas, em meio aos bloquinhos e trios elétricos, comportamentos aparentemente inofensivos podem trazer consequências sérias para a saúde.

Entre eles, está um hábito comum: segurar a vontade de urinar para evitar filas ou pela dificuldade de encontrar banheiros. A prática, segundo especialistas, pode favorecer infecções urinárias, contribuir para quadros de incontinência e até provocar alterações no funcionamento da bexiga ao longo do tempo.

Segurar o xixi pode causar infecção?

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem com incontinência urinária — condição que afeta aproximadamente 45% das mulheres e 15% dos homens acima dos 40 anos.

A bexiga tem capacidade média entre 300 ml e 400 ml. Quando atinge esse volume, o ideal é esvaziá-la. Permanecer longos períodos sem urinar favorece a proliferação de bactérias no trato urinário, aumentando o risco de infecção — problema mais frequente nas mulheres, que possuem uretra mais curta.

Além das infecções, o hábito repetido pode levar a:

  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
  • Urgência urinária
  • Gotejamento após urinar
  • Bexiga hiperativa
  • Formação de cálculos renais (em casos associados à baixa ingestão de água)

Especialistas alertam que sintomas persistentes devem ser avaliados por um médico, especialmente em homens acima dos 40 anos, quando alterações prostáticas passam a ser mais comuns.


Mistura perigosa: álcool + energético

Outro ponto de atenção durante a folia é a combinação de bebidas alcoólicas com energéticos. A prática, comum entre jovens, pode mascarar os efeitos do álcool e sobrecarregar o coração.

O Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, referência em cardiologia e nefrologia no Pará, alerta que a mistura pode aumentar o risco de:

  • Arritmias cardíacas
  • Elevação abrupta da pressão arterial
  • Infarto
  • Desidratação severa
  • Sobrecarga renal

O álcool tem efeito diurético — aumenta a eliminação de líquidos — e contribui para a desidratação, especialmente em ambientes quentes e com grande aglomeração. Já os energéticos contêm altas doses de cafeína, açúcar e, em alguns casos, substâncias como taurina e potássio, que podem ser prejudiciais para pessoas com doenças cardíacas, renais ou diabetes.


Rins e coração sob estresse

A desidratação é um dos maiores vilões do Carnaval. A perda excessiva de líquidos pelo suor, associada ao consumo de álcool, pode comprometer o funcionamento dos rins e descompensar doenças pré-existentes, como:

  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Doença renal crônica

Pacientes que fazem uso contínuo de medicamentos não devem suspender o tratamento para “poder beber”. A interrupção pode elevar o risco de infarto, AVC e insuficiência renal.

Além disso, o uso de drogas ilícitas, estimulantes para prolongar o estado de vigília e medicamentos para desempenho sexual, quando combinados com álcool, elevam significativamente o risco de parada cardíaca.


Como curtir o Carnaval com segurança

Especialistas recomendam medidas simples para reduzir riscos:

✔ Intercale bebida alcoólica com água
✔ Não segure a urina por longos períodos
✔ Planeje pausas para alimentação e descanso
✔ Prefira refeições leves e ricas em frutas
✔ Mantenha o uso regular de medicamentos
✔ Evite misturar álcool com energético
✔ Redobre os cuidados se tiver doença crônica

O Carnaval é um período de celebração, mas o corpo também impõe limites. Respeitar os sinais do organismo — como sede, cansaço e vontade de urinar — é fundamental para evitar que a festa termine no pronto-socorro.

A orientação dos especialistas é clara: moderação, hidratação e atenção aos sinais do corpo são as melhores estratégias para aproveitar a folia sem colocar a saúde em risco.

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