Por Redação Superação News – 16/10/2026 • 09h45
Diante da rápida expansão da Inteligência Artificial e da dispersão provocada pelo uso das redes sociais, o Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, traz um debate urgente para as escolas brasileiras. Em um cenário onde prender a atenção dos estudantes se tornou um desafio diário, a reflexão vai além das homenagens formais: é preciso substituir o modelo focado na mera transmissão de conteúdos por práticas com metodologias ativas, empatia e cuidado com a saúde mental dos educadores.
Os dados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) ajudam a dimensionar o desafio. No Brasil, estudantes de 15 anos relataram passar, em média, 1,3 hora por dia usando dispositivos digitais na escola para atividades de aprendizagem e mais uma hora para atividades de lazer. O levantamento também aponta que 25% dos alunos disseram que os colegas frequentemente se distraem com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de Ciências. Entre os estudantes que relataram esse tipo de distração, a diferença de desempenho em Ciências chegou a 19 pontos.
O cenário também ajuda a explicar as mudanças recentes nas escolas brasileiras. Desde 2025, a Lei nº 15.100 restringe o uso de celulares por estudantes durante as aulas, recreios e intervalos, permitindo exceções para atividades pedagógicas, acessibilidade, inclusão e questões de saúde. A própria legislação determina que escolas e redes de ensino desenvolvam estratégias para lidar com os impactos do uso imoderado de telas e promovam ações relacionadas à saúde mental dos estudantes. O objetivo, segundo o Ministério da Educação, não é afastar a tecnologia da educação, mas estimular um uso consciente, planejado e pedagógico dos recursos digitais.
Para a professora, palestrante e formadora de educadores Prissilla Mello — criadora da metodologia Pedagogia Magnética —, lidar com o imediatismo das plataformas digitais é um dos grandes desafios da educação atual. Mestra pela PUC-Rio, licenciada pela UERJ e com 22 anos de experiência na sala de aula, ela alerta que o hábito de consumir conteúdos rápidos e descartáveis acostuma os alunos a uma postura passiva. Isso torna mais difícil prender o interesse da turma em atividades que exigem reflexão, escuta e análise crítica.
Ao abordar o uso da Inteligência Artificial nas turmas, Prissilla ressalta que a tecnologia não deve ser vista como vilã, nem como solução mágica. A educadora compara a ferramenta a um frasco que pode conter remédio ou veneno, dependendo de como é usada. Para ela, o professor não precisa ter medo da IA, mas sim utilizá-la para otimizar planejamentos e avaliações, abrindo espaço na aula para dinâmicas que estimulem a criatividade, a oratória e a participação dos alunos.



Fundamentada em princípios da neurociência aplicados ao ensino, a docente defende que a emoção é a verdadeira cola da memória, e que a aprendizagem só acontece quando há vínculo entre quem ensina e quem aprende. Essa visão deu origem ao seu método autoral, focado em criar aulas inclusivas, empáticas e atrativas. A busca por materiais e práticas diferenciadas ganhou ainda mais força a partir da sua vivência como mãe, quando o diagnóstico de TDAH do filho, aos 8 anos, a incentivou a buscar soluções que atendessem estudantes com diferentes ritmos de aprendizagem.

A trajetória de Prissilla reflete a força da educação no Brasil: neta de um cavador de poços analfabeto e de uma avó que estudou apenas até o terceiro ano do ensino fundamental, mas passou a vida inteira lendo e lhe ensinou o amor pelos livros. Com base na sua vivência prática no chão da escola, Prissilla fundou a startup educacional PriGeo e a loja de materiais didáticos Priduca, acumulando mais de 10 mil educadores capacitados, 200 mil inscritos no YouTube e mais de 20 mil kits pedagógicos utilizados no Brasil e no exterior.
Neste 15 de outubro, a educadora reforça que a verdadeira valorização do professor passa pelo combate à violência nas escolas e pelo resgate do respeito à profissão. Segundo Prissilla, ninguém precisa se esgotar para dar boas aulas. Em uma época em que robôs fornecem respostas em segundos, o diferencial insubstituível do professor continua sendo a sua experiência humana e a sua capacidade de acolher, escutar e transformar vidas.
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