O Rio de Janeiro viveu, nesta terça-feira (19), um dos cortejos mais emocionantes dos últimos meses na segurança pública fluminense. Familiares, amigos, policiais civis, bombeiros e agentes de diferentes forças acompanharam a despedida do comandante Felipe Marques Monteiro, piloto da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que morreu após enfrentar uma longa batalha pela vida desde que foi baleado durante uma operação policial na Vila Aliança, Zona Oeste da capital.
O cortejo fúnebre teve início ainda pela manhã, na sede do Serviço Aeropolicial (Saer), localizada na Lagoa, Zona Sul do Rio. O corpo do policial foi transportado em um caminhão do Corpo de Bombeiros, seguido por viaturas da Polícia Civil e acompanhado por colegas de corporação que prestaram continências e homenagens ao comandante ao longo do trajeto.
A despedida percorreu importantes vias da cidade, passando pelas orlas de Ipanema e Copacabana, pelo Aterro do Flamengo e pela Avenida Brasil, até chegar ao Cemitério e Crematório da Penitência, no Caju, onde aconteceram o velório, a missa de corpo presente e a cerimônia de cremação.
Durante todo o percurso, o clima foi de forte comoção. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram agentes emocionados, sirenes ligadas e homenagens ao policial, que se tornou símbolo de resistência e luta após sobreviver por mais de um ano a um grave ferimento sofrido em serviço.
Felipe Marques Monteiro tinha 46 anos e foi baleado em março de 2025 durante uma operação da Polícia Civil realizada na comunidade da Vila Aliança, em Bangu. Na ocasião, ele atuava como copiloto de um helicóptero da corporação que dava apoio aéreo às equipes em solo durante uma ação contra uma quadrilha envolvida em roubo e desmanche de vans.
Durante o sobrevoo, criminosos abriram fogo contra a aeronave utilizando armamento pesado. Um dos disparos atingiu Felipe na região da cabeça. Mesmo gravemente ferido, o comandante ainda conseguiu auxiliar no pouso da aeronave, atitude considerada decisiva para evitar uma tragédia ainda maior.
O policial foi socorrido em estado gravíssimo e levado inicialmente para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Os médicos identificaram um quadro extremamente delicado: Felipe havia perdido aproximadamente 40% do crânio em decorrência do disparo de fuzil.
A partir daquele momento começou uma longa e difícil batalha pela sobrevivência. O comandante passou por diversas neurocirurgias, períodos prolongados de internação, tratamentos intensivos, reabilitação motora e procedimentos de reconstrução craniana. Durante meses, familiares e amigos compartilharam nas redes sociais a rotina de recuperação do policial, mobilizando campanhas de oração e mensagens de apoio vindas de diferentes partes do país.
Em dezembro do ano passado, Felipe chegou a receber alta hospitalar após meses internado e iniciou um processo de reabilitação fora do hospital. A melhora foi comemorada por familiares, colegas e seguidores que acompanhavam diariamente sua recuperação. No entanto, nos últimos meses, o quadro voltou a se agravar.
Segundo familiares, o policial precisou passar novamente por procedimentos cirúrgicos após o surgimento de um hematoma na cabeça e complicações relacionadas a uma infecção. O estado de saúde se deteriorou progressivamente nos últimos dias, até que a morte foi confirmada no último domingo (17).
A notícia gerou forte repercussão nas redes sociais e entre profissionais da segurança pública. Em uma emocionante homenagem publicada na internet, a esposa do comandante, Keidna Marques, destacou a coragem e a força do marido ao longo de toda a luta pela vida.
“Felipe foi um guerreiro do início ao fim”, escreveu.
Colegas da Polícia Civil também prestaram homenagens ao piloto, lembrando sua dedicação à corporação, o profissionalismo nas operações e o respeito conquistado ao longo da carreira no serviço aeropolicial.
Em nota oficial, o Governo do Estado do Rio de Janeiro lamentou a morte do comandante e ressaltou a bravura do policial no exercício da profissão.
“O Governo do Estado presta solidariedade aos familiares, amigos e companheiros da Polícia Civil, e reconhece a bravura, o compromisso e a entrega do comandante Felipe Marques Monteiro no exercício da missão de proteger a população fluminense”, diz trecho da nota.
A morte do comandante reacende também o debate sobre os riscos enfrentados diariamente por agentes de segurança pública em operações realizadas em áreas dominadas pelo crime organizado no estado do Rio de Janeiro. O ataque à aeronave da Polícia Civil, ocorrido durante a operação na Vila Aliança, chamou atenção na época pela violência dos disparos feitos contra o helicóptero.
Mais de um ano depois daquele episódio, a despedida desta terça-feira reuniu homenagens emocionadas e marcou o último adeus a um policial que passou a simbolizar resistência, coragem e dedicação à segurança pública fluminense.

